A decisão do Google em não disponibilizar o código-fonte do Honeycomb (Android 3.0) , tem recebido fortes críticas por parte dos fabricantes, e mais meio-mundo. Mas ao que parece, esta é apenas a ponta do icebergue, já que estão a vir à superfície cada vez mais relatos de que o Google está a usar toda a sua “força” para impor (ainda mais) limites nas alterações feitas ao Android pelas OEMs.

LG Maximo Pad

Toda a gente concorda que um dos (maiores) “problemas” do Android é de ser um ecossistema demasiado fragmentado. Mas esse foi o preço que o Google teve que pagar para poder ter o Android a correr no maior número possível de aparelhos, em relativamente pouco tempo. Claro que toda este esforço não vem a custo zero e os fabricantes pagaram também uma grande parte desta factura. Como tal aproveitaram também para dar alguns extras e personalizar os seus smartphones Android. É por isso completamente natural e compreensível que esta volta de 180º dada pelo Google recentemente tenha sido mal recebida pelos mesmos fabricantes que tanto têm ajudado o Android a crescer.

Mas ainda falta o resto do iceberg. Juntamente com esta recusa, vieram “à tona” notícias de que o Google está não só a colaborar estreitamente com a ARM para criar chipsets standard para futuros aparelhos Android, como ainda a impor cláusulas de “não fragmentação” nos seus contratos de fornecimento do Android, limitando não só as modificações que as OEM possam fazer mas também os parceiros que estas escolhem.

Se estivéssemos a falar da Microsoft, ou Apple, ou RIM se calhar estas ideias não nos estranhavam tanto, mas aqui falamos do Google. O “bastião” da Liberdade, o (ou um dos maiores) defensor(es) do Open Source, o criador do lema “Don’t Be Evil”. Ou muito me engano, o alguém finalmente conseguiu converter o Larry Page ou o Sergey Brin para o lado Negro da Força ;)

Sendo uma pessoa naturalmente optimista sou levado a pensar também no outro lado da questão. Então, se uma das razões principais para os looongos períodos de espera entre lançamento de actualizações por parte dos OEM é a necessidade de adaptar cada nova release às características particulares dos aparelhos e às alterações de software, se os futuros Androids partirem de uma base de hardware e software comum, toda a gente poderia beneficiar de actualizações, muito mais rapidamente, certo!? Aliás, este é precisamente o argumento mais usado pela Apple na defesa do seu ecossistema controlado: toda a gente recebe o mesmo, ao mesmo tempo e com os óbvios benefícios de estabilidade, segurança e qualidade.

Mas quando se ouve dizer que fabricantes “de peso” como Samsung, LG e Toshiba estão já a ser fortemente afectados por estas medidas de “contenção” do Google, e, no caso do Eee Pad Transformer, a Asus recebeu mesmo fortes críticas do Google por ter supostamente alterado o núcleo do Honeycomb para poder implementar o seu wallpaper especial que indica o nível da bateria, não podemos evitar de ficar um pouco receosos.

Fontes do Bloomberg BusinessWeek (ver Fonte 2), afirmam também que o “forcing” do Google para as OEM reduzirem as suas alterações ao OS continua a bom ritmo. E apesar do vice-presidente Andy Rubin, responsável máximo pelo Android, dizer que estas exigências sempre fizeram parte do contrato celebrado entre Google e OEMs – o mesmo contrato que dita os critérios a ser cumpridos para que um smartphone possa ter a marca “with Google” -, o que se “ouve” é que estas exigências estão a aumentar de tom.

Exemplo disso parece ser o caso do Facebook para Android, que está a ver os melhoramentos para a sua aplicação serem constantemente atrasados pela exigência dos técnicos do Google, de verem toda e qualquer modificação de código antes desta ser publicada. E outros relatos ainda mais “estranhos” como o que afirma que o Google tentou atrasar o lançamento dos smartphones da Verizon, que substituíram a pesquisa Google pelo Bing da Microsoft, e até mesmo que já foram feitas queixas no Departamento de Justiça dos EUA relativas a esta forma “abusiva” de tratamento das OEM por parte do Google.

Eu pessoalmente sinto-me dividido. Por um lado gosto muito da ideia da redução da fragmentação da plataforma e tudo o que daí poderá advir em termos de vantagens para os consumidores. Isto é: um ecossistema estável, software de qualidade e actualizações universais. Mas por outro lado sinto que o Google está agora a tirar com uma mão o que durante anos deu com a outra e a tornar-se num dos “monstros” que outrora veio desafiar com o seu lema de abertura total. E sinto-me de certa forma “defraudado”. Não quero com isto dizer que me vou “zangar” e deixar o Android completamente de lado. Não. Continuo a acreditar nas potencialidades deste SO e na “justeza” da posição de topo que ocupa, e continuará a ocupar no mercado dos smartphones mas acho que esta nova atitude foge muito à “filosofia” original desta plataforma.

E vocês, o que acham!? A discussão está aberta.

SW, out!

Fonte
Fonte 2

Endereço de Email

5 COMENTÁRIOS

  1. O Android fragmentado foi o que me permitiu ter um smartphone por 300€ sem vínculos, agora já estão disponíveis por 160€ e talvez menos. O iPhone tem qualidade standard mas nunca o poderia ter. Parece que sem fragmentação o Android irá perder para o iPhone, afinal eles têm controlo total sobre a plataforma e a Google depende dos parceiros de hardware.

    abraço

  2. Se bem que sempre que falo de terminais Android (e vendo-os) argumento como um grande factor positivo, o facto de ser um sistema operativo de código aberto! Eu sou defensor de programas de software livre e código aberto, a seguir como é que falo da Google? Têm razão que o sistema operativo continua ser tecnicamente avançado, mas o que está em causa é que valores é que a Google defende afinal?

  3. O que penso que a google está a fazer é limitar o acesso ao sistema operativo por parte das companhias que o desenvolvem, pergunto quantos utilizadores android se sentem satisfeitos com as stock roms, cheias de lixo que raramente se utiliza, penso que todos lucravam, têm de haver standards, uma versão única, mas modificável a bom gosto pela comunidade (modaco, xda, cyanogen) sem as aplicações muitas vezes mal desenvolvidas e que o consumidor não pretende, só difamam o android. Quanto ao bing, pergunto se a verizon não fez um contracto com a bing para utilizar o seu motor de busca em vez do google, lucrando assim mais. É fácil apontar o dedo, mas o paradigma da google mantém-se já ha uns bons anos, a fonte de rendimento sempre foi o search engine, tal como ja relatado aqui varias vezes, o resto sempre foram aplicações e projectos em que o objectivo era estimular a competitividade

  4. Peço desculpa mas estamos mesmo a discutir os valores desta empresa? bem é a maior do mundo, que valores a moverão? Os da solidariedade? Sempre pensei que fossem os do lucro… Conseguiram foi enganar-vos bem até aqui.

  5. O que a Google pretende fazer com estas decisões, drásticas para as OEM, é a “desfragmentação” do Android e manter a “Open Source”-idade. É como imaginar o iOS Open Source e a poder ser utilizado em vários dispostivos que não iPhone, iPod e iPad disponibilizados unicamente pela Apple. Ao contrário do que alguém disse anteriormente, na minha opinião, se Android deixar de ser fragmentado e continuar Open Source não perderia para iOS. Isto desde que as alterações ao Android fossem propostas à Google como RFCs que, por sua vez, as disponibilizaria em versões seguintes. No entanto, importa referir que conseguir isto seria um grande feito por parte da Google.

Partilha a tua opinião