Ontem não foi um dia igual aos outros. Havia qualquer coisa no ar, uma excitação contida, um nervoso miudinho escondido numa unha roída no chão. Todo este clima tem uma explicação: a Apple apresentava ontem a nova geração da sua “jóia da coroa”: o “novo iPad“.

New iPad

Esta é a história do mais recente lançamento da Apple, que na opinião deste vosso amigo, vem demonstrar de uma vez por todas que, muita gente sabe muito pouco sobre o que realmente se passa no interior da maçã.

“Reflexões sobre a Maçã” : uma análise ao novo iPad

Cerca das 10:00 da manhã em São Francisco, 18:00 em Portugal Continental Tim Cook, actual CEO e sucessor “natural” de Steve Jobs aos comandos da Apple , no seu tom calmo e monocórdico, dava inicio a mais uma das (muitíssimo) aguardadas apresentações da Apple. E o tema não podia ser mais quente. Depois de semanas de especulação, nomes sugestivos, e muita muita “tinta” por essa internet fora, finalmente íamos conhecer o novo iPad…

New iPad

Uma hora e vinte cinco minutos depois ficámos, ou pelo menos eu fiquei com exactamente a mesma sensação que à alguns meses atrás por alturas desta outra badalada, apresentação. A Apple apresentou-nos o seu “novo iPad”, e para desgosto (de alguns) ou felicidade (de outros), chama-lhe apenas isso: novo iPad.

É precisamente por isso que, na impossibilidade (técnica) de vos dar a minha opinião em directo durante o nosso “live blog” de hoje encarei a escrita deste artigo, mais como um desabafo, do que uma dissertação sobre os méritos e falhas desta nova evolução daquele que é, para todos os efeitos o tablet mais vendido no mundo.

Já há alguns anos que vejo, leio e “absorvo” muita coisa sobre tecnologia, e deste que o meu amigo Nastase me convidou para integrar este grupo de “geeks viciados em gadgets” que é o “Staff” do RD, sigo com (ainda mais) atenção tudo o que se passa neste meio, e depois do que vi e ouvi hoje, sou forçado a concluir que no que toca à Apple, e aos lançamentos dos seus “novos” produtos, vamos sempre ficar com aquela sensação de vazio no estômago. como quem come uma salada ao almoço e tinha fome para um cozido à portuguesa.

Mas antes de “dissertar” mais um pouco, vamos lá então conhecer este “novo iPad” um pouco melhor.

Ecrã, Câmara e 4G: A Troika do novo iPad

Hesitei usar o termo Troika nesta “crónica”, já que aqui por Portugal este termo goza de uma certa “má fama”. Mas acabo por utiliza-lo, isto porque não me pareceu suficientemente “apelativo” chamar “Triunvirato” às três grandes evoluções que este, simplesmente chamado “novo iPad”, nos trouxe. Começamos então pelo ecrã.

Retina Display

De todas as previsões que lemos por estes dias, em quase todas as “publicações” da especialidade, a mais comummente aceite, e que se veio a mesmo a verificar, foi a inclusão do Retina Display nesta nova geração do tablet da Apple. E a verdade é que as nossas expectativas não foram goradas. Mais de 3,1 milhões de pixels (2048 x 1536) num ecrã de menos de 10″ diagonal, dá mais 1 milhão de pixels que num ecrã de uma TV Full HD 1080p e quatro vezes mais pixels que no ecrã do iPad 2. Este é sem dúvida o melhor ecrã de sempre num dispositivo móvel, ou assim nos “faz pensar” a Apple. Mas sim, é verdade. Não há ecrã com mais ou melhor definição num dispositivo móvel.

New iPad

Mas toda esta resolução e todos estes pixels, que obrigaram os engenheiros da Apple (e/ou dos seus parceiros) a reinventar a forma como se constroem e fazem funcionar os ecrãs LCD, servem na realidade para quê!? Bem, por um lado o detalhe do ecrã, as cores, a definição e clareza de texto e imagens ficam realmente melhores. E se a mudança era notória no iPhone 4S, no ecrã do novo iPad notamos ainda mais estas melhorias. E claro, quem diz melhor ecrã, diz obviamente melhores imagens e melhores vídeos. Sim porque agora já se podem ver filmes a 1080p, descarregados do iTunes, e tudo a partir da “cloud”.

New iPad

Claro que fazer um ecrã destes funcionar assim tão bem não é tarefa fácil e aqui entra mais uma das “novidades” (mais pequenas) deste novo iPad, que é o processador A5X que sendo (ainda) dual-core como o anterior A5, agora tem um processador gráfico “quad-core”, certamente necessário para conseguir gerir a quantidade massiva de pixels do ecrã do novo iPad.

Nas demonstrações que foram feitas durante a apresentação, ficou bem patente a facilidade com que este novo processador lida tanto com jogos exigentes, como filmes HD ou processamento de imagens ou fotos. E já que falamos de fotos, saltamos então para o segundo membro da “Troika do novo iPad”: a câmara iSight de 5 megapixels.

Câmara iSight

Não é segredo para ninguém, que a câmara fotográfica traseira do iPad 2 é de má qualidade. Má qualidade para tirar fotografias, porque para conversar por Facetime ou Skype, funciona que é um regalo. Mas foi para isto mesmo que a câmara do iPad 2 foi desenhada, tendo em mente apenas a transmissão de vídeo via web. Agora no novo iPad, temos uma câmara iSight, tal como a do iPhone 4S, só que com 5 megapixels em vez de 8. E a qualidade das fotos que tira, a acreditar nos vídeos que vimos na apresentação, é um verdadeiro salto de gigante quando comparada com a câmara do actual iPad 2. Além de fotos detalhadas, e de um novo interface de câmara (cortesia do update para iOS 5.1), o novo iPad passa agora a poder fazer vídeo HD 1080p@30fps.

New iPad

A demonstração das grandes potencialidades desta câmara ficou ainda mais evidente quando ficámos a conhecer as novas versões do iMovie e iPhoto para o iPad. Agora podemos editar, cortar, melhorar, enriquecer, organizar todas as nossas fotos e vídeos, directamente no iPad, (quase) sem necessitar de recorrer a um PC ou Mac.

A facilidade com que vimos ser criado um trailer, ou o pós-processamento de fotografias é realmente digna de nota e se me perguntassem há um ano atrás se fazia sentido utilizar um tablet para fazer este tipo de trabalho, eu diria absolutamente que não, principalmente porque não havia software minimamente capaz ou indicado para este tipo de trabalho. Mas agora tenho que admitir que talvez estas tarefas já não sejam trabalho exclusivo para PC ou Mac.

Novo iPad

Sim, é verdade que o tipo manipulações que se podem fazer sobre vídeo ou fotografias neste novo iPad, apesar de bastante completas, não chegará perto daquilo que se consegue fazer um sistema normal, vocacionado para multimédia. Mas temos que ter em atenção o tipo de utilizador de um iPad. Um profissional de som e imagem usa, e sempre usará um Mac (ou um PC), enquanto que um utilizador convencional ficará contente e bem servido com o que o iPhoto ou o iMovie lhe permitirão fazer.

4G LTE: 71mpbs em qualquer lado

Claro que num mundo “interconectado” como é o nosso, nada destas funcionalidades e potencialidades multimédia faz sentido existir, se nós não conseguirmos partilhar estas nossas obras primas de imagem e som, com todos os nossos amigos do Facebook ou outra rede social equiparada. É por isso que a terceira e última “grande” evolução deste novo iPad é a introdução da ligação 4G.

Novo iPad

As operadoras nacionais de telecomunicações pretendem que 2012 seja o começo da transição para as redes móveis de alta velocidade 4G. Nos USofA as redes 4G já existem há mais tempo e é normal que a Apple tenha decidido incorporar esta nova rede de banda larga no novo iPad. Já disse noutros artigos que um aparelho como o iPad, ou qualquer outro tipo de smartphone ou tablet, só “vive e respira” como deve ser se estiver ligado à Internet.

E quanto melhor e mais rápida ela for, melhor será a experiência. Por isso é com satisfação que vejo chegar esta nova possibilidade de ligação à rede, só ficando mais preocupado quando penso nos preços elevados que este tipo de ligação irá custar ao consumidor nacional, isto claro, tendo por base os preços que actualmente se praticam para acessos “banda larga” 3G para smartphones e tablets.

E o resto!?

Antes de passarmos ao que foi dito para além do iPad, deixo-vos o vídeo de apresentação do “novo iPad” que a Apple projectou ontem durante o evento:

E pronto, este é o sumo dos cerca de 85 minutos de “conversa” que Tim Cook e seus amigos nos deram ontem ao fim do dia, ficando apenas a faltar algumas “novidades” soltas que não tendo muito a ver com o novo iPad acabam por vir “completar” o ramalhete de mais um lançamento Apple. É o caso do iOS 5.1 que além de fazer chegar o sistema Siri aos nossos amigos japoneses pouco ou nada vem trazer de novo aos utilizadores do iPad, centrando-se mais a resolução de problemas e melhoramentos no iPhone 4S. Mais detalhes aqui.

Falando ainda mais um pouco de Siri, confesso que estava à espera que essa fosse uma das evoluções presentes neste iOS 5.1, mas temos que nos contentar com o reconhecimento de escrita, mas que ainda não sabemos se existirá no iPad 2, ou se será exclusivo do novo iPad.

Já a nova versão da Apple TV deixou-me agradavelmente surpreendido, mas não creio que terá grande sucesso no nosso país, a menos que seja alavancada com uma parceria de uma operadora nacional. E sabendo que a presença Apple em Portugal é mais “indirecta” do que noutros países, creio mesmo que esta solução de TV da Apple se ficará pelos USofA… a ver vamos o que o futuro nos reserva.

A Apple segue o seu próprio caminho

E aqui, em jeito de conclusão, retomo então a minha “dissertação”, ou melhor, o desabafo com que abri este artigo. Se pensarmos em tudo o que se tem dito de há um ou dois meses para cá, podemos facilmente perceber que em vez de “novo iPad”, poderíamos chamar-lhe iPad 2.1, ou mesmo iPad HD (que eu acho que seria um nome muito mais interessante). E consigo ainda tirar mais uma conclusão: se há coisa que a Apple tem de característico, e que a meu ver é mesmo uma questão de cultura e filosofia “de vida”, é a sua “imutabilidade” face às pressões e opiniões dos outros.

Como disse na abertura desta “crónica”, constata-se claramente que muita, muita gente, embora acertando em alguns aspectos importantes e novas funcionalidades do novo iPad, falhou, falha e continuará a falhar nas previsões que faz sobre produtos Apple. Admito também que grande parte desta sensação de vazio e de falta de qualquer coisa, com que fiquei depois desta apresentação, se deve em grande parte ao volume colossal de especulação que circula nos media, na Internet, blogs, fóruns, etc, e que gera tanto “barulho” à volta destes lançamentos que nós acabamos todos por ficar com a essa mesma sensação de “incompletude”.

Novo iPad

Outra das coisas que me deixa algo admirado, é ler repetidas vezes opiniões de outras pessoas neste meio que esperam que a Apple ponha nos seus produtos características semelhantes ou mesmo iguais às da concorrência, ou que lance um modelo de tablet mais pequeno, ou outro que venha pura e simplesmente substituir por completo um notebook ou um PC.

Não meus amigos, o segredo da Apple (pelo menos da forma como EU o vejo) é este: só fazemos isto, mas fazemos bem e não vamos deixar que nos “empurrem” ou influenciem. Se calhar a “falta de nome próprio” deste novo iPad é como uma “estalada de luva branca” no resto da comunidade jornalística e blogueira, como que a dizer “nós é que escolhemos o nome dos nossos aparelhos, não são vocês”. É uma atitude “estranha” para alguns, de orgulho e auto-estima para outros, mas que certamente continuará a fazer correr “rios de tinta” e a estimular guerras “flamejantes” por toda essa internet fora.

Agora só nos falta esperar que este “novo iPad” chegue a terras lusas (é já dia 23 de Março) para que possamos ver ao vivo e a cores tudo o que hoje vimos e ouvimos em directo de São Francisco.

SW out!

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